24 de junho de 2009

Alexandre Ribondi


Foto de Djalma Atanásio

Um dos diretores pioneiros do teatro brasiliense é o também autor e ator Alexandre Ribondi. Nascido em 1952, no Espírito Santo, Ribondi veio para Brasília em 1968, quando ainda cursava o ensino médio. Na Universidade de Brasília, graduou-se em comunicação social. Autor dos livros “Da Vida dos Pássaros” (2009) e “Na Companhia dos Homens” (1999), Ribondi tem muita intimidade com as palavras. Escrever é para ele mais do que uma obrigação profissional, é uma necessidade, que resulta em textos densos e envolventes. Como o roteiro da peça “Cru”, apresentada no Teatro Goldoni durante o mês de maio deste ano. Em entrevista ao Cena Candanga, Alexandre Ribondi falou sobre as motivações que o levaram a escrever “Cru”:



Quando começa a escrever o texto para um espetáculo teatral, Alexandre Ribondi já tem muito clara a idéia que irá trabalhar naquela peça. Como essa idéia será processada para a construção do espetáculo, isso o diretor não faz questão de determinar previamente e gosta que os atores contribuam na elaboração do resultado. Ribondi acredita que no palco é possível discutir grandes idéias, capazes de provocar mudanças não só nas pessoas que assistem ao espetáculo, mas também naqueles que o realizam.




Para Alexandre Ribondi o ator é o elemento central e de maior importância na composição de um espetáculo. O diretor acredita que uma peça está pronta quando apenas mediante a atuação, sem o acréscimo dos outros elementos artísticos do espetáculo, ela encanta.




A irreverência é uma das características de Alexandre Ribondi. O diretor consegue transformar uma entrevista em uma agradável conversa, por vezes passa de entrevistado a entrevistador e não usa de formalidades. Embora admita não ser nada metódico no que diz respeito ao arquivamento de suas peças, Ribondi reconhece a importância da documentação dos trabalhos artísticos de Brasília para a construção da história da cidade. Uma cidade especial para o diretor, que, como viajante incansável que é, já conheceu países como Peru, Iraque, Marrocos, França, Alemanha e Portugal. Mas é em Brasília, mais especificamente na L2 Norte, que Ribondi se sente em casa.




Alexandre Ribondi acredita que, pelo fato de Brasília ser uma cidade muito nova, ela se configura num espaço de grande experimentação para os artistas. O diretor considera que, como os artistas não têm tradições nem referências para seguir, e são eles os primeiros a produzir trabalhos na cidade, seria justamente essa falta de referências a nossa identidade.




Embora more e trabalhe em Brasília há 41 anos, Ribondi se ressente de que a cidade muitas vezes não oferece o devido reconhecimento a seus artistas. A falta de valorização e apoio estatal a grande parte das produções artísticas locais é percebida pela classe teatral brasiliense.




Veja as fotos da entrevista.

Um comentário:

Vovô disse...

Caraca! Show de Bola essa matéria!

 
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